Raul, Gil e Veronika
Começamos com Raul Seixas. Como declarei para a revista “Rolling Stone”, vinte anos atrás eu estava fazendo o Caminho de Roma quando soube de sua morte em uma cabine telefônica. Liguei para o Brasil (como fazia uma vez por semana) para ver se minha mulher estava bem. Tinha três moedas de cinco francos no bolso, um minuto e meio de conversa. Eu disse: “oi Cris, tudo bem?”. E ela: “Não sei se eu te conto”. Caiu a primeira moeda, depois a segunda e daí ela disse: “O Raul morreu”. Caiu a terceira moeda.
Fico muito contente ao ver que hoje Raul está mais vivo que nunca. Mas não se iludam: em seus últimos anos de vida era motivo de chacota para apresentadores de TV, e sistematicamente ignorado ou atacado pela imprensa. Eu acompanhei isso de perto – não é informação que me passaram. Mais de uma vez Raul me perguntou: “por que os jornalistas me odeiam tanto?” Infelizmente, a tragédia consagra. Assistimos a Jim Morrison no passado, e assistimos a Michael Jackson agora. A imprensa fez tudo para destruir Michael Jackson e, quando ele morreu, a comoção popular foi gigantesca. Longe de mim dizer que Raul morreu porque sentia-se rejeitado – sua morte foi uma escolha, e ponto final, não cabe a ninguém julgar sua decisão. Mas se estivesse vivo, não sei se seu ( ou nosso, dependendo das músicas) trabalho teria a repercussão que merece. Quem tiver paciência, que leia o brilhante discurso feito por Marco Antonio logo depois da morte de Julio Cesar, em “Julius Cesar” de Shakespeare.
Passamos para Gilberto Gil. Hoje um jornal paulista questiona o fato de Gil ter pedido apoio da Lei Rouanet. Ora bolas, não foi ele quem criou tal lei, e merece tanto respeito como todo e qualquer artista. Foi um ministro íntegro, levou a cultura brasileira a cantos aonde não conseguia chegar, teve o respeito, a atenção e o carinho de todos os seus pares estrangeiros. Para mim, foi talvez o melhor ministro da Cultura que tivemos recentemente. E no entanto, só pelo inscrever-se no programa, é imediatamente questionado. O atual detentor da pasta, Juca Ferreira, diz com toda razão: “a lei é para consagrados e não consagrados”. Gilberto Gil tem tanto direito de pleitear o apoio da Lei Rouanet como qualquer outro artista brasileiro. Ou será que é preciso que morra – como aconteceu com Raul – para ter seu inegável talento reconhecido?

Terminamos com “Veronika decide morrer”, o filme. Em primeiro lugar quero alertar a todos que não sei dos desígnios divinos, mas não tenho planos de morrer – como o personagem do título – tão cedo. Muito pelo contrário, espero completar meus vividos 62 anos na madrugada de domingo para segunda-feira. Não vi o filme. Recusei todas as entrevistas que me pediram, incluindo a do portal G1, onde mantenho este blog.
Tudo isso porque não sou o autor do roteiro, não dirigi, não conheço Sarah Michelle Gellar, e não acompanhei nada de perto. E qual minha surpresa hoje, ao ler as críticas? Em 80% dos casos, esqueceram o filme e preferiram partir para o ataque pessoal contra o autor do texto no qual “Veronika decide morrer”é baseado (neste caso, aquele que vos escreve). É a primeira vez que vejo o livro sendo mais importante que a película. Quais são os autores dos filmes baseados em livros que estão atualmente em cartaz? Eu sei alguns. Mas em nenhuma das resenhas o crítico os menciona. Mencionam diretor, ator etc. – mas é absolutamente irrelevante o livro que deu origem, porque a linguagem do cinema nada tem a ver com o autor do texto.
Exceto, claro, no caso de “Veronika decide morrer”. Evidente se a crítica fosse sobre o livro, eu não estaria aqui escrevendo isso. Mas não é, e não é justa a associação. Podem não gostar do que eu escrevo; podem também não gostar do filme. Mas um crítico com dignidade não faria associações que simplesmente não existem.
Raul Seixas, Gilberto Gil, Veronika. Todos, com muito orgulho, nascidos no Brasil (embora na ficção Veronika seja eslovena, e no filme foi transformada em nova-iorquina). Um país generoso, onde ainda bem as pessoas sabem o que querem – apesar das manipulações que têm data marcada para chegar, e data marcada para sair.
Fonte: Maktub
Cinema tem alta de público em 2009
por Rodrigo Melo
Crédito Arquivo Box Office Mojo
Há alguns anos o cinema já não repete as grandes performances passadas, isso no que diz respeito às grandes bilheterias de anos anteriores. A comprovação disso são as constantes quedas de público. Em 2004, por exemplo, foram 117,4 espectadores freqüentando as telonas, enquanto no ano de 2008, o público foi inferior a 90 milhões.
O ano de 2009, entretanto, parece querer reverter este quadro de decrescimento desde 2004. Segundo pesquisas encomendadas pelo site Filme B, o número de pessoas que foram aos cinemas de janeiro a maio deste ano já é superior a 2008. A alta semestral chega a 35%. Isso sem falar no que diz respeito apenas aos longas-metragens nacionais, que até o momento contabilizam 200% de aumento em público. Isso se deve a filmes de comédia como Se eu fosse você 2, A Mulher Invisível e Divã, os três nacionais mais rentáveis.
A grande sensação do semestre, no entanto, vem sendo as películas com tecnologia em 3ª dimensão. O exemplo mais recente é a terceira parte de Era do Gelo. A animação, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha, fez quase dois milhões de renda em pré-estréias de três dias somente em cópias em 3D. Na última segunda-feira, dia 13 de julho, após 15 dias em cartaz, o filme já bateu a marca de 1milhão de pessoas em 3D. Somando o público total, a película já passa de 4 milhões, prometendo passar o número do mais visto do ano, Se eu fosse você 2, com 6,1 milhões em mais de 3 meses. Outros filmes como Monstros vs Alienígenas e Dia dos Namorados Macabro também obtiveram êxito por causa do 3D. O primeiro é atualmente a 11ª maior bilheteria do ano e o terror foi o quinto filme mais visto do mês de março.
O segundo semestre deve esperar muito mais dessa tecnologia, uma vez que novos longas-metragens devem chegar aos cinemas. Em setembro, o destaque fica por conta do já sucesso mundial Up – Altas Aventuras, que somente nos EUA já acumula mais de US$ 200 milhões. Para quem gosta de sangue, Premonição 4 promete agradar e muito. O único problema do sistema 3D para os adultos está no fato de todos os filmes serem dublados, uma vez que os testes com legendas não funcionaram em 3D.
Se antes, poucos filmes eram produzidos em 3D e poucas salas no Brasil dispunham deste recurso, em 2009 os brasileiros puderam ter mais salas neste sistema. Em 2010, o Cinemark, por exemplo, promete mais cinemas em 3D. E as produtoras, principalmente com as animações, prometem mais filmes em 3ª dimensão. Atualmente são quase 70 salas que oferecem salas equipadas com tal tecnologia. A maioria delas pode ser encontrada no estado de São Paulo.
O que os filmes nos ensinam?
por Daniel VidalAcho que que a maioria das pessoas adora cinema, né?
Mas o que aprendemos com os fimes que assistimos.
Abaixo, uma lista de 10 coisas que o cinema nos ensina.
Divirtam-se!
1. Se alguém esta parado te olhando por bastante tempo pode ter certeza que é seu verdadeiro pai ou mãe;2. Animais tem o QI maior que muita gente;
3. Sofrer para ser feliz no final;
4. Para ganhar forças sobrenaturais, basta pensar na sua amada, família ou filhos;
5. Seu carro nunca funcionará se você estiver desesperado e com medo;
6. O seu grande amor está mais próximo do que você pensa;
7. O bem e o mal realmente existem;
8. Mulheres são lindas até quando acordam;
9. Se você estiver em um tiroteiro, corra igual um maluco que a bala não te pega;
10. Não basta ser mau, o principal é dominar o mundo.
Crise econômica ainda não chega às telonas
por Rodrigo Melo
Um dos indícios dessa cautela foi evidenciado pelo festival “Viva América”, realizado na Espanha, com a finalidade de discutir fórmulas para evitar o estrangulamento das indústrias de cinema. Na contramão, produtores de Hollywood acham que a crise dificilmente afetaria a produção de filmes.
Algumas precauções, entretanto, começam a surgir. São novas possibilidades de financiamento, como é o caso do “Mercado europeu de cinema”. No evento são oferecidos mais de 700 longas-metragens, mostrando, com isso, que a crise não parece ser um grande obstráculo para os negócios. Isso, de acordo com a coordenadora do evento, ocorre porque as pessoas não vivem sem filmes.
Mesmo não sendo notório no evento, algumas modificações já podem ser percebidas. Nos Estados Unidos, por exemplo, não existem incentivos estatais para a produção de filmes. Os grandes estúdios dependem de empréstimos bancários e patrocinadores. Com esse momento turbulento, eles foram obrigados a buscar novas alternativas como o financiamento na Europa, onde há incentivos do Estado.

Apesar da crise, parte do filme "Os mercenários", escrito,
dirigido e estrelado por Sylvester Stallone está sendo filmado no Brasil
Uma outra saída para cortar custos das películas se encontra na escolha de locais mais baratos para filmagens. A América Latina pode ganhar com isso. Tudo se deve por causa da mão-de-obra barata dos países latinos. O Brasil é a nação que mais pode ganhar com essas medidas. Até porque o México seria o principal concorrente nessa disputa, uma vez que está mais próximo dos americanos. A gripe suína seria seu ponto negativo. Já os brasileiros têm como impedimento a associação da nação somente à praia, carnaval e futebol. Esses fatores podem, infelizmente, limitar os incentivos financeiros.
Essa turbulência que passa a economia mundial não pode, no entanto, ser constatada em relação ao público que vai às salas. Em janeiro desse ano, os ianques obtiveram uma elevação em relação à quantidade de ingressos vendidos. Foram 19% de bilhetes a mais que no mesmo mês de 2008. O aumento de US$ 0,11 no preço das entradas foi o que mais impulsionou o sucesso de arrecadação. Outro fator responsável foi o aumento de público em 2009: 16% a mais que no primeiro mês do ano anterior.
Filmes como a comédia Segurança de Shopping, ainda sem previsão de estréia no Brasil, as ações Busca Implacável e Velozes e Furiosos 4 estão entre os grandes sucessos do inverno estadunidense. Todos eles têm renda superior à US$ 140 milhões.
Já os brasileiros parecem não sofrerem com a crise. Desde dezembro de 2008, o mercado está em ascensão. A animação Madagascar 2, lançada em dezembro, fez público superior a 5 milhões de pessoas. Já o nacional Se eu fosse você 2 se consolidou como o filme mais visto da retomada do cinema nacional. O lucro já chega à R$ 50 milhões.
As temidas dificuldades econômicas parecem, portanto, não terem tomado conta do cinema, seguindo o bom ano que a economia tupiniquim viveu em 2008. E se economicamente Lula disse que a crise chegaria a ser apenas uma marolinha, nas telonas o mar está para peixe. E o mais calmo possível.












